ciência

INSUFICIÊNCIA SUPRA-RENAL / ADRENAL FATIGUE

 

 

A função das glândulas supra-renais (GSR) é ajudar o organismo a lidar com o stress e sobreviver. São, por isso, chamadas as "glândulas do stress". É sua função, preparar o nosso corpo a encarar qualquer tipo de stress, desde doenças ao trabalho, passando por problemas de relacionamento.

A nossa resistência, energia, e a nossa própria vida, dependem do seu correcto funcionamento.

As glândulas supra-renais comandam uma série de poderosas hormonas que estendem a sua influência através de todo o organismo e ao longo de toda a nossa vida.

A GSR, a partir da sua localização central, exactamente sobre os topos dos rins, têm um efeito significativo, não só sobre cada um dos nossos órgãos e tecidos, como também sobre a forma como pensamos e sentimos.

As forças que estas glândulas mobilizam, determinam largamente a energia da nossa resposta a cada uma das modificações que vão surgindo nos nossos meios, interno e externo.

As hormonas segregadas pelas GSR influenciam todos os processos fisiológicos “major” do nosso corpo.

Elas afectam, de forma notória:

   -a utilização dos hidratos de carbono e das gorduras;

   -a conversão de gorduras e proteínas em energia;

   -a distribuição das gorduras armazenadas, especialmente à volta da cinta e na face;

   -a regulação da glicose (açúcar) sanguínea;

   -a regulação das funções gastrointestinal e cardiovascular.

 

A actividade protectora das hormonas anti-inflamatórias e antioxidantes, segregadas pelas GSR, ajuda a minimizar reacções negativas e alérgicas ao álcool, fármacos, alimentos e alergénios ambientais.

Depois da meia-idade (menopausa na mulher), as GSR começam a ser a principal fonte das hormonas sexuais circulantes através de todo o corpo, em ambos os sexos. Estas hormonas têm, por si só, uma panóplia de efeitos físicos, emocionais e fisiológicos, desde o apetite sexual até a tendência para ganhar peso. Todo o atleta sabe quanto a sua força e motivação são fortemente afectadas por estas hormonas, comummente conhecidas por “esteróides”.

A nossa propensão para desenvolver determinado tipo de doenças, e a nossa capacidade de reposta a certas doenças crónicas (ex: doenças auto-imunes), é influenciada significativamente pelas GSR.

 

Quando a funcionar normalmente, as GSR segregam de forma cronometrada e equilibrada, a quantidade exacta de cada uma das suas hormonas. Mas, exactamente porque elas foram concebidas para serem tão precisas na sua resposta a modificações no ambiente físico, psicológico e emocional, qualquer alteração de imensos factores pode interferir com este equilíbrio tão delicado. Isto significa que demasiado stress físico, emocional, ambiental e/ou psicológico pode desgastar as GSR, causando um decréscimo na produção das suas hormonas, particularmente do CORTISOL.

Esta baixa actividade supra-renal, devida ao "cansaço" das glândulas, pode ter um grau de severidade de "quase zero" até "quase normal".

O extremo do desgaste é a conhecida Doença de Addison, na qual os doentes são geralmente obrigados a tomar corticosteróides para o resto da sua vida.

A designação de “fadiga supra-renal” é bem elucidativa do seu principal sintoma: a FADIGA!

A fadiga supra-renal é um conjunto de sinais e sintomas, conhecida como um síndroma: em português, o Síndroma da Fadiga Crónica (SFC). Não é uma entidade facilmente identificável, como o sarampo ou a varicela. As pessoas com SFC frequentemente parecem e actuam normalmente. Elas podem não ter qualquer sinal evidente de doença física, no entanto elas vivem com a sensação permanente de mal-estar e vêem a vida muito cinzenta. Frequentemente usam o café, o chá, a coca-cola e outros estimulantes, para terem energia para começar o dia e o levar por diante.

 

As pessoas que sofrem de SFC podem apresentar valores de açúcar no sangue erráticos e anormais, o que se designa por “hipoglicemia funcional”. Também apresentam maior tendência para terem alergias, dores articulares e diminuição da reposta imunológica (menor actividade do nosso sistema de defesa).

As supra-renais exercem, também, uma grande influência no estado mental. Como resultado, as pessoas com falência das GSR demonstram uma maior tendência para medos, ansiedade e depressão; têm períodos de confusão, aumento crescente de dificuldade em se concentrarem e menos rapidez em recordar acontecimentos recentes (atingimento da memória). Frequentemente, ficam menos tolerantes e sentem-se mais frustradas. Quando as GSR não estão a segregar a quantidade adequada de hormonas, a insónia é outro dos sintomas a considerar.

Consoante a sua condição se vai deteriorando, prepara-se o terreno para o aparecimento de outras situações, que aparentemente não teriam qualquer relação, tais como infecções respiratórias frequentes, alergias, rinite, asma, e um número de outros problemas de saúde, entre os quais a fibromialgia, SFC, hipoglicemia, diabetes tipo II, doenças auto-imunes e alcoolismo.

Estas pessoas podem parecer à família e aos amigos como sendo preguiçosas e com falta de motivação e ambição, quando o oposto é que é a realidade: elas têm que se esforçar muito mais do que qualquer outra pessoa para conseguirem fazer as tarefas diárias, apesar das limitações criadas pela sua insuficiente função supra-renal.

 

A abordagem terapêutica tem que ser multifacetada e atendendo sempre à fase em que se encontra a doença: medidas de redução do stress (seja qual for a sua origem), higiene do sono, cuidados alimentares, exercício físico adequado, suplementos alimentares específicos, tratamento hormonal, ... , .

Paula Vasconcelos, Dr.

Janeiro 2011

 

Bibliografia:

-Wilson, James L, N.D., D.C., Ph.D., 2000, “Adrenal Fatigue, the 21st Century Syndrome
- IFC, 2006, “Textbook of Fuctional Medicine”